Por Brian Geiss *
A pandemia de coronavírus que se expande rapidamente afeta com
gravidade os idosos. Dados obtidos a partir do surto inicial na China e mais tarde na Itália mostram que os infectados com menos de 60
anos têm um risco baixo, embora não seja nulo, de morrer de Covid-19.
Curiosamente, as crianças pequenas não parecem estar em maior risco de complicações graves da doença causada por esse novo coronavírus,
em contraste com o que ocorre com outros vírus, como a gripe sazonal.
No entanto, as estatísticas se tornam mais desalentadoras à medida que os pacientes envelhecem. Enquanto pacientes entre 60-70
anos têm uma probabilidade de 0,4% de morrer, aqueles com idades entre 70 e 80
anos têm 1,3% e os com mais de 80 anos, de 3,6%. Embora isso não pareça uma probabilidade
muito alta de morte, no atual surto que a Itália está enfrentando, 83% dos que
sucumbiram à infecção pela Covid-19 tinham mais de 60 anos de idade.
Portanto, o novo coronavírus SARS-CoV-2, que
causa a Covid-19, é um patógeno muito sério para quem tem mais de 60 anos de
idade. enquanto continua a se espalhar, esse grupo mais velho continuará correndo o risco de ficar
gravemente doente e morrer.
O que faz com que um vírus como este representem maior risco para os idosos? Acredita-se que seja devido a alterações
sofridas pelo sistema imunológico humano à medida que envelhece.
Na vida cotidiana, o corpo experimenta um
bombardeio constante de bactérias, fungos e vírus que nos tornam doentes, os
patógenos. Um corpo humano é um lugar maravilhoso para esses organismos crescerem e prosperarem, pois lhes proporciona um ambiente agradável, quente e rico em
nutrientes.
É aí que o sistema imunológico entra em ação. É
o sistema de defesa do corpo contra esse tipo de invasor. Antes mesmo de nascer, o corpo começa a produzir dois tipos
especializados de células sanguíneas, linfócitos B e linfócitos T, capazes de
reconhecer os patógenos e ajudar a bloquear seu crescimento.
Durante uma infecção, os linfócitos B podem se multiplicar
e produzir anticorpos que aderem aos patógenos e bloqueiam sua capacidade de se espalhar pelo corpo. Pessoas muito jovens não têm muitos linfócitos
B ou T. Para o corpo delas pode ser um desafio controlar a infecção porque ele simplesmente não está acostumado com tal
tarefa. À medida que amadurece, o sistema imunológico adaptativo aprende a
reconhecer os patógenos e a lidar com essas invasões constantes, nos permitindo
combater a infecção de maneira rápida e eficaz.
Embora os glóbulos brancos sejam poderosos protetores para seres humanos, não são suficientes. Por sorte, nosso sistema imunológico
possui outra camada, denominada resposta imunológica “inata”. Todas as células
têm seu próprio sistema imunológico em miniatura que lhes permite responder
diretamente aos patógenos com mais rapidez do que a necessária para mobilizar a
resposta adaptativa.
Quando um patógeno invade o corpo, a diferença
entre a doença e a saúde se torna uma corrida entre a velocidade em que tal
patógeno é capaz de se expandir em seu interior e a rapidez com a qual a
resposta imunológica é capaz de reagir sem causar muitos danos colaterais.
À medida que envelhecemos, as respostas do sistema imunológico inato e do adaptativo
mudam, alterando esse equilíbrio. Os monócitos dos indivíduos mais velhos
produzem menos interferon em resposta à infecção viral. É mais difícil para
eles matar as células infectadas e transmitir sinais à resposta imune
adaptativa para que se ponha em marcha.
A inflamação crônica de baixo grau que comumente
ocorre durante o envelhecimento também prejudica a capacidade da resposta imune adaptativa e inata de reagir contra os patógenos. É
um pouco semelhante a se acostumar, com o passar do tempo, a ruídos irritantes.
Com o envelhecimento, a redução da “capacidade
de atenção" da resposta imune inata e da adaptativa torna mais difícil que
o corpo responda à infecção viral, dando vantagem ao vírus. Os vírus podem
tirar proveito do atraso do sistema imunológico em responder e, assim, se
apoderar rapidamente do corpo, causando uma doença grave e a morte.
Dada a dificuldade que os idosos têm para
controlar a infecção viral, a melhor opção é, desde o início, evitar ser
infectados. E é aí que a ideia de distanciamento social adquire importância, em especial no que diz respeito à
Covid-19.
A Covid-19 é causada por vírus respiratório que contagia principalmente pela tosse, que pode espalhar
pequenas gotas de saliva que contêm vírus. As gotículas mais pesadas caem
rapidamente no chão. Gotas muito pequenas secam. Gotas de tamanho intermediário
são as mais preocupantes, porque conseguem flutuar no ar mais de um metro antes
de secarem. Essas gotas podem ser inaladas e entrar nos pulmões.
Manter uma distância de pelo menos um metro e
meio de outras pessoas ajuda a reduzir significativamente o risco de ser infectado por essas gotículas de
aerossóis. Mas ainda existe a possibilidade de o vírus contaminar as
superfícies em que a pessoa infectada tocou ou na qual tossiu.
Consequentemente, a melhor maneira de proteger idosos vulneráveis e as pessoas imunocomprometidas é ficar longe
delas até que o risco
desapareça.
Fotos: Divulgação


