Desconhecido por 48% dos eleitores, relator do julgamento do mensalão aparece com apenas 2% de intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus

Metade dos eleitores brasileiros (48%) não conhece Joaquim Barbosa, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 25. Esse é o primeiro levantamento sobre a pretensão presidencial do relator do julgamento do mensalão, que o Supremo Tribunal Federal (STF) em 2014 bem antes de chegar ao 75 anos, idade limite para os ministros da Corte Suprema no Brasil.
Desde que o Democracia Cristã (DC) lançou seu nome no lugar do ex-deputado federal Aldo Rebelo para disputar a Presidência da República, Barbosa não fez nenhuma aparição pública.
Seus apoiadores chegaram a divulgar um vídeo feito com Inteligência Artificial do ministro aposentado (foto), no qual sua versão virtual diz que “Chegou a hora de virar a página”. Barbosa nem sequer autorizou a divulgação do vídeo, segundo um de seus partidários.
O ex-ministro do STF também não publicou declarações nas redes sociais, como os políticos se acostumaram a fazer, e se limitou a dar algumas declarações à Folha de S.Paulo.
Barbosa disse ao jornal que tinha duas condições para sair candidato: verba para a campanha e apoio popular. Os 2% de intenções de voto indicados pela pesquisa BTG/Nexus sugerem que sua candidatura presidencial não tem horizonte, o que deve dificultar coligações para conseguir verba.
Pressão
Barbosa chegou a marcar 8% de intenções de voto em pesquisa durante a corrida presidencial de 2018, quando se filiou ao PSB. Seu nome também foi cogitado para a corrida presidencial de 2022, mas o ex-ministro do STF nunca sustentou uma candidatura.
Barbosa sempre alegou ter deixado o STF mais cedo do que poderia por uma questão de princípios, por ser “filosoficamente contra a eternização no cargo”. Mas o fato é que o ex-ministro foi alvo de muita pressão por ter conduzido com rigidez o julgamento que levou à cadeia a cúpula do PT.
O relator do julgamento do mensalão não demonstrou no últimos anos disposição para a vida pública e resolveu cuidar da própria vida como advogado, o que é absolutamente legítimo. Mas o resultado disso está registrado nos números da pesquisa BTG/Nexus.
O Brasil teria de reaprender quem foi Barbosa para que sua candidatura fizesse sentido.
Após a ascensão e a queda da Operação Lava Jato, que superou o mensalão em valores e número de envolvidos, e o surgimento da dicotomia entre lulismo e bolsonarismo, o tempo do ex-ministro do STF que virou símbolo do combate à corrupção no início do século parece ter passado.
