CORRUPÇÃO BRASILEIRA | Defesa de Jaques Wagner aciona STF para barrar operação da PF

Em nota, advogado do senador afirma que parecer da PF trocou informações e que Wagner não atuou para favorecer o Banco Master.


Senador Jaques Wagner foi alvo da PF na 9ª fase da operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes no Banco Master. | 📷 Paula Froes/AI Jaques Wagner

A defesa do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou nesta 2ª feira (22.jun.2026) um recurso ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão do ministro André Mendonça que deflagrou a 9ª fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em nota, a equipe do senador diz que a busca e apreensão contra o parlamentar foi um equívoco e que se baseou em premissas erradas.

O recurso é um agravo interno, que, caso seja admitido, será analisado pela 2ª Turma do STF. Caberá a Mendonça analisar se o recurso deve ou não ser considerado válido. A PF investiga se Wagner atuou em favor do Banco Master em troca de propina. O senador confirmou ter negociado a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, fundador do Master.

O advogado Pablo Domingues, que assina a defesa de Wagner, afirma que a única emenda de Wagner à medida provisória do ex-presidente Jair Bolsonaro que ampliava o limite de crédito consignado para pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) contrariava os interesses do Banco Master. Segundo a defesa, a edição proposta por Wagner criava uma limitação dos juros para “proteger os consumidores”.

“Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular”, declarou. Leia a íntegra (PDF — 33 kB).

“A defesa do senador Jaques Wagner apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (22), recurso para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão em sua residência, apontando erros graves que comprometem a medida.

“A defesa sustenta que a medida está equivocada pelos seguintes motivos: o senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master. Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco.

“Além disso, o senador se posicionou contra a “Emenda Master”, apresentada por outro parlamentar, no âmbito da PEC 65/2023. Todos esses posicionamentos e atuações do senador Jaques Wagner são públicos. O próprio relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), reforçou em nota jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto.

“Em relação aos valores em espécie encontrados, a defesa aponta que todos têm origem lícita e comprovada: parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens.

“A defesa confia que o Supremo Tribunal Federal corrigirá os equívocos e reafirma a tranquilidade do senador quanto à sua conduta.”

COMPLIANCE ZERO

As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.

O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Eis as fases da operação:

1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no Distrito Federal. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro;

2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master.

3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF – ele veio a morrer 2 dias depois, em 6 de março.

4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo.

5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões.

6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF.

7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação;

8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;

9ª fase (18.jun.2026) – o líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo. A PF investiga se o senador atuou a favor do Master na Casa Alta.
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